quarta-feira, 28 de setembro de 2016

JUNTO, SEPARADO OU TUDO MISTURADO?...

Tenho certeza que alguns pais de atletas tem dúvidas em relação à quantidade de tempo que devem ficar junto com a criança durante a competição. Ficar junto o tempo todo, somente em alguns momentos, ou deixar a criança livre? 
De acordo com as respostas dadas à minha pesquisa, apenas 9,64% dos pais dizem que ficam o tempo todo ao lado dos seus filhos, 20,48% dizem que ficam distantes e deixam com que a criança fique com o treinador e com os amigos. Entre os extremos, existem os pais que disseram que ficam próximos em alguns momentos e distantes em outros. Esta resposta teve 66,27% de adeptos. Tivemos ainda 3,61% que deram outras respostas, que não vou considerar, pois estavam inseridas nas questões anteriores, só foram respondidas por escrito.
As crianças quando perguntadas o que elas queriam, responderam: 32,56% disseram que gostariam que os pais ficassem o tempo todo ao seu lado, enquanto que 23,26% querem que os pais a deixem livres para escolher com quem ficar.
Analisando as respostas das crianças, vemos que há uma grande importância na presença dos pais durante a competição, como já vimos no post e na resposta anterior (clique aqui) e, parece haver uma grande consciência dos pais sobre a importância de se deixar a criança em alguns momentos sentindo a proteção familiar e em outros momentos, "se virando". 
Como treinador, vejo que é muito importante que a criança sinta e vivencie as duas coisas: a proteção e a independência.
Na primeira postagem desta série: Por qual motivo uma criança inicia uma prática competitiva (para ler, clique aqui), vimos que a grande maioria dos pais coloca seu filho em um esporte de competição, pensando nos ganhos psicológicos que ele pode ter e, sem dúvida, a independência é um dos maiores destes ganhos. Eu sei, sou pai, não é fácil ver seu filho crescer, mas isto é importante para ele.
Portanto, por mais difícil que seja, abra as asas e deixe seu filho voar, começando assim, aos poucos, em competições em que ele saiba que você está lá junto - apoiando.
Até mais.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

QUEM DEVE IR À COMPETIÇÃO?...

Outra pergunta que fiz sobre as competições e a relação entre pais e atletas foi sobre o costume de ir à competição.
Segundo as respostas dos pais, 75,9% disseram que vão à todas as competições. Em segundo lugar, com 22,8% ficou a resposta "escolho algumas competições para ir, independente da importância".


Isso é bom ou ruim? É importante para as crianças que os pais estejam presentes em todas as competições?  Perguntadas sobre "quem você gosta que vá te assistir em dias de competição?", 54,35% das crianças responderam que gostam quando pai e mãe vão às competições. Em segundo lugar ficou a resposta, "todos da minha família e amigos", com 39,13%.


Portanto, pela resposta das crianças, é muito importante que a família participe das competições. Se tiver amigos junto então, melhor! As crianças gostam do apoio que as pessoas mais próximas dão em dias de competição e isto parece ser benéfico. MAS!!!!!
É importante que os pais saibam que o papel de quem vai assistir à competição é o de APOIAR, independentemente do resultado do dia. As cobranças, broncas, elogios ou outras manifestações técnicas devem ficar à cargo do Treinador.
Se você, pai, mãe, amigo ou familiar, estiver em dúvida de como agir frente ao resultado da competição, pergunte ao treinador, ele(a) guiará suas reações e palavras para que tudo funcione da melhor forma possível. Quem sabe o treinador até peça para você dar um "puxãozinho de orelha", mas com carinho!
Todos devemos lembrar que trabalhamos em conjunto para um resultado comum - a melhora e felicidade do nosso pequeno atleta, para que um dia ele seja um GRANDE ATLETA!!!!!
Até mais...

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

POR QUAL MOTIVO UMA CRIANÇA INICIA UMA PRÁTICA COMPETITIVA?...

Estou muito interessado no tema de iniciação esportiva competitiva e na relação entre pais e alunos/atletas nas competições. Por este motivo, resolvi fazer uma pequena pesquisa para tirar algumas dúvidas. O resultado desta pesquisa, vou compartilhar aqui com vocês.
Desenvolvi dois questionários, um voltado para pais de atletas e outro para os atletas. Os questionários para os pais foram distribuídos por meio de um link para resposta, para pais do Clube Paineiras do Morumby e para treinadores amigos. Os questionários das crianças foram respondidos em papel e, neste primeiro resultado apenas com crianças do Paineiras de categorias entre Mirim e Infantil.
Até agora foram 89 respostas de pais e 46 respostas de crianças. O questionário ainda está aberto e pretendo colher mais respostas nas competições regionais que participarei neste segundo semestre. Caso haja interesse em responder a pesquisa e me ajudar neste levantamento, por favor, me mande um email - rogerionocentini@gmail.com - e eu mandarei o link dos dois questionários.
Escolhi para hoje, uma das primeiras perguntas: a primeira para os pais e a segunda para as crianças.

Com que finalidade, você colocou seu(a) filho(a) para praticar um esporte com caráter competitivo? Pode assinalar mais de uma resposta.


As respostas mais votadas pelos pais, foram:
- 58,54% - Pensando nos ganhos psicológicos que ele pode ter
- 46,34% - Para que ele ganhe responsabilidade
- 46,34% - Pensando nas oportunidades de vida que ele poderá ter
- 45,12% - Pensando nos ganhos físicos que um esporte de competição proporciona.

Para as crianças:


Porque você iniciou um esporte de competição?


- 43,48% - Nunca tinha pensado nisto, experimentei e gostei.
- 28,26% - Porque é legal
- 17,39% - Sempre quis participar de uma equipe de competição

Numa análise muito superficial, podemos ver que, enquanto os pais colocam a criança no esporte com finalidades claras de desenvolvimento e vendo a importância de uma vida esportiva, as crianças vão para o esporte por motivos muito mais subjetivos, ligados mais ao prazer do que a qualquer outro.
Isto aumenta a nossa responsabilidade em (1) mostrar aos pais a importância de um esporte de competição e o que o esporte pode fazer na vida de seu filho e (2) convidar as crianças para a experimentação, trazer os alunos para uma prática de competição, independente se ela ficará ou não, se ela será atleta ou não, se ela tem biotipo para ser campeã ou não.
Para os pais, a razão, para as crianças, o prazer, o lúdico, o "legal".
Até mais.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Pais de atletas: Parceiro, vilão ou um "mal" necessário?


Conheço muitos treinadores que tremem quando a palavra "pai" é pronunciada. A maioria tem razão.
Muitos pais na ânsia de ver seu filho se desenvolver no esporte, aliada à falta de conhecimento específica da modalidade ou dos métodos de treinamento, extrapola em alguns aspectos. Porém, o que às vezes nos falta pensar é que eles são fundamentais no processo de iniciação à prática esportiva.
Como disse no post sobre os professores, que são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do aluno e futuro atleta, o "gatilho" da iniciação esportiva está nas mãos dos pais.
São eles que incentivarão os filhos a iniciar ou permanecer na atividade física; serão eles que darão o suporte logístico e financeiro para a manutenção do aluno; serão eles que suportarão as decepções e comemorarão as alegrias que o esporte proporciona.
Cabe a nós, profissionais da área, estabelecer os limites de atuação tanto de nossa parte, como dos pais e só conseguiremos isto apresentando conhecimento e segurança nas nossas atitudes, aulas, treinos e convivência com pais e familiares.
Para um melhor resultado, profissionais, família e atletas devem entender que cada um tem seu pedaço no processo. Cada ponta do triângulo tem suas crenças, formas de trabalhar, objetivos e expectativas e que ninguém está preso a ninguém. Todos estão no mesmo barco, por isso devemos remar para o mesmo lado e a melhor forma de acertarmos o rumo é conversando, para o bem de quem é mais importante - a criança.
Até mais.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Apoio ao esporte de base. O que é isso?...


Com a proximidade do final das Olimpíadas do Rio de Janeiro e, com a certa "frustração" pelos nossos resultados, ouvimos muito falar em Apoio ao Esporte de Base. Mas o que realmente se entende por "apoio"?
Quando ouço falarem em apoio ao esporte, sempre se fala em dinheiro, mas realmente é isso que precisamos? Falando da natação, nunca houve tanto dinheiro para uma preparação, nunca se investiu tanto, nunca tivemos tantas condições para o resultado, mas ele não veio. O que nos faz pensar que não é o dinheiro que garante o resultado, devem existir outras variáveis. 
Tivemos 7 anos para nos preparar para estas Olimpíadas (sem mencionar as outras tentativas de sediar os Jogos) e não tivemos nenhum projeto, nenhuma diretriz, nenhuma conversa sobre o que fazer para termos atletas que nos representassem nas Olimpíadas - pelo menos não na natação. Tivemos dinheiro, mas será que ele foi empregado da forma correta?
Se fala muito nos Estados Unidos, pois bem, tenho oportunidade de conversar com ex-atletas que treinam e estudam nos Estados Unidos, bem como com pais que mantém seus filhos no país do "Tio Sam". Tudo é pago. O treinador, a piscina, as inscrições, os materiais, a escola, suplementos, alimentação, tudo, tudo, tudo.
Aqui, damos estrutura (nos clubes), bolsa de estudo, vale-transporte e até salário para crianças/atletas a partir do Infantil. Aqui temos excelentes treinadores que estudam e se dedicam muito pela profissão e pelo esporte. Aqui temos pais que apoiam seus filhos e dão boas condições de treinamento. Aqui temos oito milhões de quilômetros de praias. Aqui temos um clima extremamente favorável para a prática da natação. Aqui temos mais de 120 clubes que participam dos Campeonatos Brasileiros de Natação. Aqui temos condições muito boas para revelar atletas, o que falta então?
Falta DEDICAÇÃO, falta OBJETIVO, falta FÉ, falta ASSUMIR SUAS RESPONSABILIDADES E SEUS RESULTADOS, falta SAIR DO CONFORTO, falta PARAR DE DAR DESCULPAS. Falta QUERER SER O MELHOR DO MUNDO e PAGAR O PREÇO PARA ISTO.
Porque brasileiros que treinam fora, costumam ter bons resultados? Porque quando realmente os atletas querem resultados eles saem do país? Fora do Brasil, se trocam os genes dos atletas? Acho que não. Fora do país, se trocam os pensamentos.
Não quero dizer que aqui é uma maravilha, temos muito o que melhorar e evoluir, mas certamente aqui não é esse lixo que todos preconizam.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

INSERÇÃO DE ATIVIDADES FÍSICAS NO DIA A DIA AJUDA A IR BEM NA ESCOLA...


MATÉRIA DA FOLHA DE SÃO PAULO  01/07/2016 (GUSTAVO QUEIROLO E RAPHAEL VICENTI)

A prática de atividades físicas por crianças e jovens afeta positivamente a memória, bem estar psicológico e inclusão social diz o documento que ficou conhecido como “Consenso de Copenhague”, assinado em abril de 2016 por 24 pesquisadores de diversas áreas reunidos na Dinamarca e publicado nesta semana pela revista científica British Journal of Sports Medicine.
Além dos benefícios físicos, a prática de atividades físicas traz ganhos no desenvolvimento intelectual e integração social entre crianças e jovens com idade entre 6 e 18 anos.
“O jovem que pratica atividade física depois da escola tem mais facilidade em memorizar o que foi aprendido durante a aula” diz Peter Krustrup da Universidade de Copenhague, especialista em fisiologia do exercício.
“A atividade física – definição que abarca a prática de esportes, brincadeiras recreativas ou ir de bicicleta à escola, por exemplo – age positivamente na formação de estruturas cerebrais como o hipocampo” diz Charles Hillman, professor da Universidade de Ilinois.
Segundo o pesquisador, o tamanho da estrutura não é sempre relacionado a processos cognitivos específicos, mas acredita-se que é um bom indicador da saúde cerebral. “Publicamos dados mostrando que crianças mais saudáveis têm hipocampo mais volumoso e têm desempenho melhor em tarefas específicas de memória que se mostraram dependentes dessa região do cérebro”.
Na prática, de acordo com Krustrup, o ideal é que a criança pratique 60 minutos de atividades menos intensas diariamente (bike, ir à escola a pé) e devem ser somadas à prática de atividades de alta intensidade como prática de artes marciais em 3 sessões de 30 minutos por semana.
Fatores socioeconômicos podem influenciar a participação das crianças em atividades físicas, dentre elas, limitações físicas, falta de habilidade, orientação sexual e gênero.
“A gente sabe, por exemplo, que pessoas mais pobres tendem a fazer menos exercícios que as mais ricas e que meninas tendem a fazer menos que os meninos” diz Krustrup

Isso deve servir para as autoridades planejarem políticas de incentivo ao esporte, devendo esses grupos serem privilegiados.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Professor, o grande responsável por tudo...


Muito já falei aqui sobre várias coisas relacionadas à natação e nunca falei sobre o maior responsável por tudo o que cerca este mundo... O Professor.

O Professor não só é o elo de ligação entre toda a teoria e o aluno, como também é o responsavel por toda a formação física e psicológica das crianças que estão tendo aula com ele.
Quando recebemos um aluno, não sabemos se ele será nadador amador ou profissional, "prego" ou campeão Olímpico. Não vem com etiqueta dizendo como ele será dali a dois, cinco ou dez anos. Não temos como prever o que ele será e quanto tempo vai nadar.
Pensando sob este prisma, não temos o direito de "matar" um provável campeão. Como fazemos isto? Dando uma aula ruim, negligenciando aspectos importantes como técnica de nado, preparação psicologica, não pensando na possibilidade deste aluno se tornar um nadador profissional, ou o pior de todos os erros: dar mais treino do que a idade dele deveria fazer.
O treinamento a longo prazo é como ir para a cozinha preparar um prato especial. Você deve separar os ingredientes que colocará na panela com muito carinho.
Desde o momento da compra , limpeza e preparação você deve estar atento, mas é no momento do tempero que temos que tomar o maior cuidado. Se a gente esquecer o sal, sempre dá para colocar um pouco mais na hora de servir, mas quando colocamos sal demais, não tem outro jeito, a comida vai para o lixo.


slide do curso"Caminhos estratégicos para se chegar à natação competitiva" Prof. Rogerio Mixirica Nocentini

slide do curso"Caminhos estratégicos para se chegar à natação competitiva" Prof. Rogerio Mixirica Nocentini

O Professor, o grande responsável por tudo...


Muito já falei aqui sobre várias coisas relacionadas à natação e nunca falei sobre o maior responsável por tudo o que cerca este mundo... O Professor.
O Professor não só é o elo de ligação entre toda a teoria e o aluno, como também é o responsavel por toda a formação física e psicológica das crianças que estão tendo aula com ele.
Quando recebemos um aluno, não sabemos se ele será nadador amador ou profissional, "prego" ou campeão Olímpico. Não vem com etiqueta dizendo como ele será dali a dois, cinco ou dez anos. Não temos como prever o que ele será e quanto tempo vai nadar.
Pensando sob este prisma, não temos o direito de "matar" um provável campeão. Como fazemos isto? Dando uma aula ruim, negligenciando aspectos importantes como técnica de nado, preparação psicologica, não pensando na possibilidade deste aluno se tornar um nadador profissional, ou o pior de todos os erros: dar mais treino do que a idade dele deveria fazer.
O treinamento a longo prazo é como ir para a cozinha preparar um prato especial. Você deve separar os ingredientes que colocará na panela com muito carinho.
Desde o momento da compra , limpeza e preparação você deve estar atento, mas é no momento do tempero que temos que tomar o maior cuidado. Se a gente esquecer o sal, sempre dá para colocar um pouco mais na hora de servir, mas quando colocamos sal demais, não tem outro jeito, a comida vai para o lixo.


slide do curso"Caminhos estratégicos para se chegar à natação competitiva" Prof. Rogerio Mixirica Nocentini

slide do curso"Caminhos estratégicos para se chegar à natação competitiva" Prof. Rogerio Mixirica Nocentini

segunda-feira, 28 de março de 2016

TREINAMENTO A LONGO PRAZO...


Depois de muito tempo procurando algum livro que tratasse especificamente de treinamento na juventude, me chegou às mãos "Esporte Infantojuvenil - Treinamento a Longo Prazo e Talento Esportivo", da Profa. Maria Tereza Silveira Böhme - editora Phorte.
Comecei a leitura hoje a aproveitei para fazer duas coisas que eu precisava há muito, estudar e retomar o blog.
Este artigo não é, nem de perto, uma crítica ao livro, até porque como disse, comecei a ler hoje. Mas indagações baseadas em suas informações e na sua leitura. Coisas para discussão.
Logo de cara, o livro trata de questões ligadas ao treinamento a longo prazo (TLP), falando da iniciação esportiva dos jovens e do seu desenvolvimento.
Este desenvolvimento depende de toda a vida que o jovem teve até chegar às suas mãos, desde aonde ele nasceu, que influências teve tanto do meio ambiente quanto da família, que atividades fez, etc.
Como começar a ''moldar'' este jovem para o treinamento quando ele e outros chegam às suas mãos, vindos de lugares e vivências diferentes e tendo que se adaptar às regras e particularidades do seu esporte?
Como é feito, nós sabemos. Colocamos todos no mesmo nível, ou aproximado e começamos a treinar. Mas será que este tipo de ação fará com que este jovem chegue ao seu máximo? Será que é possível uma forma diferente? Até que ponto podemos usar um esporte específico para desenvolver qualidades que o jovem nunca teve?
A literatura nos diz que é importante a individualidade, mas na prática, isto é possível? Como fazer?
Nesta retomada do blog, vamos tentar conversar sobre estes e outros questionamentos. Pois na prática, a teoria às vezes é outra. Ou não?